ELEIÇÕES 2026, JÁ COMEÇOU E O FISIOLOGISMO TAMBÉM!

 


O Centrão já escolheu o seu lado para a disputa presidencial.

(Imagem: Geraldo Magela | Agência Senado)

As recentes decisões do Congresso, incluindo o “não” ao Jorge Messias ao STF, acenderam um alerta no Palácio do Planalto. Nos bastidores, a leitura é que partidos como PP e União Brasil estão cada vez mais próximos de um apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

O movimento passa diretamente por Davi Alcolumbre. Presidente do Senado, ele é visto como peça-chave nesse reposicionamento — mesmo negando articulação política.

Na prática, uma aproximação dos dois partidos daria a Flávio mais dinheiro do fundo eleitoral e tempo de TV/Rádio do que Lula.

Mas o prejuízo para o governo pode ser ainda maior

Isso porque Lula e seus aliados se dividem entre o desejo de retaliação e a necessidade de manter um bom convívio com o Congresso. É a tal sinuca de bico…

  • Por um lado, o presidente tem sido aconselhado a apoiar a criação de uma CPI do Master. A medida seria uma forma de aumentar a pressão sobre o comando do Poder Legislativo.

  • Por outro, o governo precisa da boa vontade do Senado para avançar com pautas como o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança. Aliados de Alcolumbre indicam que o senador não deve atrapalhar o andamento das pautas - quem acredita nisso?!

No fim e, ao cabo, isso tudo significa que o Centrão deve ter, mais uma vez, um papel beligerante na corrida pela cadeira de presidente da República — e usar desse poder para sair ganhando com essa disputa. Isso é fato e, onde há fatos não existe fake news.


O chamado Centrão não é um partido, é um agrupamento fisiológico de interesses particulares na política informal de legendas e lideranças no Congresso Nacional que operam com base em pragmatismo extremo.

Historicamente, sua atuação ganhou força a partir da redemocratização e da Assembleia Nacional Constituinte de 1987–1988, quando blocos fisiológicos passaram a se organizar para influenciar decisões em troca de vantagens políticas e orçamentárias.

Na prática, a postura do Centrão é marcada por uma lógica de adesão ao governo de turno, independentemente de ideologia. Governos de diferentes espectros — de Luiz Inácio Lula da Silva a Jair Bolsonaro — recorreram a esse bloco para garantir governabilidade no Congresso. Isso cria um sistema onde o apoio político frequentemente depende de cargos, emendas e controle de partes do orçamento, em vez de um alinhamento programático consistente.

O principal problema dessa dinâmica é que ela tende a produzir um curto-prazismo estrutural

Em vez de priorizar reformas profundas — como tributária, administrativa ou educacional —, o foco recai sobre medidas que garantam sobrevivência política imediata. 

Isso contribui para a manutenção e um Estado caro, pouco eficiente e capturado por interesses fragmentados. 

A política deixa de ser um espaço de projeto nacional e passa a funcionar como um mercado de negociações.

Outro efeito relevante é o fortalecimento do chamado “presidencialismo de coalizão” em sua versão mais distorcida. 

Conceito associado ao cientista político Sérgio Abranches, ele descreve a necessidade de alianças amplas para governar no Brasil. No entanto, com o Centrão, esse modelo fisiológico de "fazer" política, degenera em barganha pura, reduzindo a capacidade do Executivo de implementar agendas estruturantes.

Além disso, há impactos diretos na qualidade da democracia. 

O Centrão esvazia o debate ideológico e programático, dificultando a formação de uma direita e de uma esquerda mais coerentes e responsáveis. 

Porém, é importante evitar uma visão simplista: o Centrão também cumpre um papel funcional ao garantir estabilidade mínima em um sistema político altamente fragmentado. Sem ele, muitos governos poderiam enfrentar paralisia legislativa ainda maior. 

O problema central não é sua existência, mas o fato de que ele se tornou hegemônico na lógica de funcionamento do sistema político, limitando a capacidade de transformação estrutural do país.

Assim, o “atraso” associado ao Centrão não vem apenas de suas práticas, mas do modelo político que ele reforça: um sistema baseado em negociação constante, baixa coerência programática e pouca disposição para enfrentar mudanças profundas.

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